17.5.11

... às claras

Eu respeito a poesia pela ternura e ousadia que atrai e destrói; gosto da insensatez que revela debilidade, mas que difere do casualmente esperado. Prefiro o tamanho do desespero se desenvolvendo em palavras mais que o silêncio por inúmeras vezes interrompido sem cautela. Ainda mais, espero escrever num dia de sol sobre a cascata de sentimentos que se incorporam quando o que mais queremos é a realeza de um descanso. Talvez recompor as ideias, talvez repor a atividade em toda essa ociosidade. Não se espera que tenhamos sorte o suficiente para acreditar nos bons desígnios do sucesso. Indubitavelmente, ele é fugaz. Despede-se com desalento e adormece quando abrimos os olhos. Com tanta coragem pra não desamparar a rotina, esquecemos de ter um breve diálogo. Não há qualidade de tempo; há apenas ele sendo gasto, sem marco inicial e sem finais felizes. Parece inóspito e exacerbado... E de fato, é. Sem escapatórias, e sem constatação de vontade. Esse carinho refinado com agonia redigita erros disfarçadamente esquecidos, com feição de que certamente não serão.

22.11.10

"O desespero de estar num tempo adequado é mais voraz e independente que a escolha. Vivenciar é um modo de separação entre os dois bens comuns. Não dá pra diferenciar a vontade da certeza e adiantar seus relatos de vida certamente consistentes. Analogamente, se dispersa do que fora disciplinadamente condicional, como se a regra, ou a própria exceção, não pudesse optar pelo sóbrio ou pelo intrinsecamente ludibriado. [...]”.

10.10.10

Tendência




"..., e enquanto tudo perdurar, jamais se perderá o constrangimento."

21.9.10

Depois do tato, a aversão

É poder olhar como se beija e ter a sensação de estar sendo invadida; faz com que passemos de modo completamente real a algo totalmente abstrato. Não garante que tenhamos chance, não permuta a ideia, nem se esconde das palavras. De certo modo, tudo precisa de sinceridade, ou reconhecer o medo de errar comigo mesma. Chega por meio de precauções que foram despertando interesse em saber se faz sentido permanecer. Ter bons sonhos parece rotina de quem não sonha. Como acreditar que poderíamos concluir sem a menor expectativa de prosseguir. Não nos parecemos mais. Falta disposição, renúncia, sensatez... O que pode não impedir os rumos que temos.
Das certezas que ainda me restam, nada passam de incertezas meramente vistas; personagens sem cena, sustentação do meu próprio defeito. É nisso que encontramos o desejo fiel de pensar em nada; entretanto, o pensar tornou-se tão resumido que mal se espera ser compreendido. Em se tratando de poesia, os versos perderam a imortalidade; são novamente solúveis em temporadas longas de frio. E sem estímulos consequentes da cor, o dia não revela atração, nem a pele, a vontade.

5.4.10

[...]

à Margem

Uma questão de reinventar o meio termo. Remetendo soluções pouco teóricas ou, até mesmo, cedendo em função da terceira possibilidade: uma saída rápida da inércia do antigo movimento. Tratava de repor o que ficou dito pela manhã e não engasgar mentirosamente com a saliva. E embora pareça vulgar minha infidelidade, meu constrangimento não me encara com culpa. Culpa essa que não inverte nem se apodera dos fatos. A semana não deixa de estar cansada e quando disposta descansa... Semelhante a rima de bêbado que prefere a absolvição dos pecados à falta deles; a falta de silêncio e conversa. Ao prestar atenção no que realmente se tem de significativo há algo indicando esterilidade. Tesão abatido pelas palavras mal usadas que, até então, não eram necessárias. A partir daí que não há precisão nos gestos miúdos ou incapacita as mãos, ora trocadas, ora ferreamente gélidas. Permanecer nesse contrato de gentilezas escuras interrompe manifestações sinceras, invade civilizações seguras e reitera a claridade do caos. Isso talvez se repita em condições favoráveis, quando retratos permitirem considerações mais evidentes que a fome; moda de competitividade, de escassez e fim. São apenas reações alérgicas e escapes emocionais; a elegância do egoísmo e o altruísmo ponderado.
Poderia – tão quanto não é – ser menos feio.

18.9.09

Disposição de poucas tentativas

E o que parecia ser um rápido fim de semana, desmembrou-se em dias ocos e desnutridos. Reflete o que amanhã não vai mudar; e com a mesma certeza de ontem, tudo vira uma mera sequência lógica de fatos. Nitidamente, as pessoas emergem, e você pode até se estabelecer, o que não passará de movimentos de socialização inteiramente inconsciente. O mesmo método aparentemente adequado que não montam consequências previsíveis. Mas sua vontade, ainda assim, é de poder gritar... Percebendo até que nada a impediria. Talvez não seja momentânea a frase que agora quer sair; talvez seja mais longa e áspera, tanto quanto espero que seja. Sem informações nutridas, me faço o favor de não tê-las.
Parece que assim emito meu papel oculto em milhares de lacres e a única questão que fazemos está em achar que encerramos algo. É dessa maneira que tenho lidado com meu ar estranhamente sufocado; e pra não deixar de estar aqui, em dúvidas e conclusões medianas, saúdo minha capacidade de não saber por onde começar uma boa e falsa justificativa.